Pára o que estás a fazer. Pára de correr, pára de procurar. Acredita, não vais encontrar. Pára de fingir que está tudo bem quando estás apenas a tentar tapar os buracos de um coração que nunca voltará a ser o mesmo. Tens de viver com isso. Temos todos. Não há corações inteiros, já todos se partiram. Todos nós vamos caminhando com os nossos corações feridos, repletos de cicatrizes, remendados em vários sítios, por vezes faltando-lhe um pedaço.
Cada pessoa que vai leva com ela parte de nós. Uma parte que sabemos que jamais iremos recuperar. As pessoas são insubstituíveis. Por isso não podemos procurar por elas noutras, porque jamais encontraremos. É injusto, é triste, por vezes parece que perdemos a razão de viver, que já nada faz sentido. Queremos acordar de um pesadelo que não existe, sonhamos com o momento em que aquela pessoa entra pela porta com um sorriso nos lábios para nos dizer que está tudo bem. Mas não acontece e os dias vão passando. Tentamos não pensar, fingimos que não pensamos, mas não conseguimos esquecer. Por vezes não conseguimos dormir, às voltas na cama a pensar no porquê das coisas terem acontecido assim. Por vezes adormecemos, e aí, por breves momentos aquela pessoa aparece, com o jeito único de sorrir e estamos bem novamente. Até ao despertador tocar e leva-la novamente para longe de nós. Então não queremos sair da cama, não queremos enfrentar o mundo tendo a certeza que não a vamos encontrar. Embora volta e meia a procuremos por entre a multidão, mesmo sabendo que é impossível, não conseguimos não o fazer. O tempo passa e não cura nada. Porque não importam os discursos bonitos que fazemos, as velas que acendemos ou as flores que compramos, no fundo tudo que temos é o vazio que aquela pessoa deixou e que nada vai preencher. Somos todos guerreiros por isso, por continuar a respirar quando tanto nos falta. Por sobreviver sem as peças mais importantes que tínhamos. O tempo passa, as memórias ficam. Por vezes a saudade magoa demais, parece que não cabe dentro do peito. E nós fugimos para longe, sem saber que aquele sentimento nos irá sempre acompanhar. A morte é a coisa que de mais certo temos, mas nunca vamos saber reagir a ela. A perda é incontornável, mas mesmo assim nunca a aceitamos. Esta é a vida, e acaba, sempre cedo demais.

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