A casa onde eu cresci, tem paredes estaladas, não tem tinta por fora, é cinzenta do cimento. Não está bem situada, é rodeada de árvores e não de prédios. Esqueçam a rede nos telemóveis pois é quase inexistente. Perco a conta ás vezes que vi a minha mãe sair de casa para atender a chamada, e ainda hoje, sempre que me telefona a perguntar se comi, se levei casaco, se estou bem, ouço como som de fundo as galinhas na conversa. Porque só l á no cimo se consegue comunicar sem falhas de rede.  Não é grande, não tem piscina, nem um grande jardim. Mas tem lareira na cozinha, que me aquece as mãos e me aconchega o coração. A minha mãe diz que o meu quarto é um frigorífico e tem razão, por vezes as paredes ficam húmidas. Mas quando me deito na minha cama fecho os olhos e consigo descansar.  A minha casa está sempre cheia de gente, á noite depois de jantar, reunimos com alguns tios á volta da lareira. Conversas e mais conversas, muito bom humor, muito riso, muita festa… E tomamos chá, o chá das dez. Dito assim parece estranho, mas há muito que é um habito. Todas as noites, quando a minha mãe está sentada a lareira, quando todos se foram, a fazer horas para não ir para a cama cedo demais e correr o risco de adormecer antes de ver a novela, eu peço em tom de brincadeira colinho, ela diz que sou demasiado grande e que não me “comeu a ceia”. Depois pergunta-me vinte vezes se quero comer alguma coisa, respondo vinte vezes que não e vou para a cama. Deito-me por baixo dos meus cobertores fofinhos e passados poucos segundos lá vem a minha mãe com isto ou aquilo para eu comer. Lá, na casa onde cresci, todos os dias são de sol mesmo durante o inverno, o coração está sempre sossegado, o espírito sempre inteiro. O lar é doce. E deixa saudades

3 comentários :

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