Sabes o que me perguntaram no outro dia? Como podia eu confiar em ti á distancia. Claro que pensei “mais uma que não entende nada de amor”. Não sei o que lhe respondi, mas sei que não tentei explicar que a distância não afecta em nada a confiança. As pessoas já não confiam, já nem amam como era suposto amar. Segundo as regras, o amor não tem regras. Porém hoje em dia cada vez mais vejo as pessoas com um manual atrás. “Isto é permitido, isto não é permitido”. Não se beija no primeiro encontro, não se namora com ex de amigas, só se vai para a cama no quinto encontro, não ligo se ele não ligar… E eu pergunto-me, onde está a paixão? Sim aquela que vem agarrada ao amor. A paixão deixou de ser desmedida, insana e urgente. Passou a ser parte de um protocolo, passiva de discussão, de planeamento e orientação. Já não é autentica, nem espontânea. As pessoas já só sentem aquilo que lhes dá mais jeito. O amor já só vale a pena se for confortável e fácil. O amor dói! É inevitável. Amor não devia ser uma escolha, mas para muitas pessoas é. As pessoas não se apaixonam, as pessoas acomodam-se umas com as outras. Com alguém que possa satisfazer as suas fantasias, aquelas que viram nos filmes ou contos de fadas. As pessoas não amam os companheiros, acostumam-se a eles. Querem ter alguém que cuide, alguém para cuidar, querem receber flores e passear de mãos dadas, querem-no como realização pessoal, e procuram alguém que ocupe o espaço entre os dedos, como quem procura um jardineiro. E quando as flores murcham, procuram outro. As pessoas já não se casam por amor, as pessoas casam-se por interesse. Interesse na companhia, na beleza, no dinheiro ou porque simplesmente não querem ficar sozinhas. E os casamentos começam todos com o que fazer no seu fim. Acordos sobre a divisão dos bens, quem fica com o quê. Como se o casamento fosse um simples acordo financeiro. E isso é triste. Depois, os casamentos acabam, por traição, por cansaço ou porque o marido ressonava durante a noite. O amor puro, cego e estúpido acabou. São poucos os sobreviventes. Mas nós somos um deles. O nosso amor não é cómodo, dá trabalho e faz-nos andar muito. Nenhum de nós fez a escolha de se apaixonar, se tivéssemos escolhido seriamos mais um dos tantos comodistas deste mundo, e seria fácil, seguro e nada doloroso. Não saborearíamos tantas lágrimas de saudade, viveríamos mais momentos “á filme” e nunca estaríamos sozinhos. Mas nunca conheceríamos o Amor, aquele amor que nos espeta facas no coração e nos canta ao ouvido ao mesmo tempo.  Não seriamos nós, eu provavelmente não escreveria isto pois estaria no grupo daquelas que pensam que amam. Daquelas que hoje juram amor eterno, pois estão irreversivelmente apaixonadas, e que amanham acordam e decidem não gostar Dele. Isto porque comemoravam uma semana de namoro e ele não se lembrou de lhe dar um presente. E as outras que dizem ter facilidade em apaixonar-se, saberão elas o que isso é? Felizmente, hoje sei que não me enquadro nesse grupo, pois para ter o que temos foi preciso amar de verdade, deixamos muito para trás, gastamos muita energia e sentimos muitas lágrimas no rosto. O nosso amor não foi feito á medida de Hollywood, foi feito á medida de sala de espera. Sim, foi feito de esperas. Que muitos não suportariam. De maus dias que fariam muitos desistir. O nosso amor é apenas isso, sem ornatos ou enfeites. É simples, puro e estúpido. Sim, é estúpido e lamechas porque é assim que tem de ser. Quem ama sabe que tudo aquilo que chamamos lamechas faz todo o sentido no fim. É cego também, pois não precisamos de andar a vigiar-nos pois confiamos um no outro, o amor também é feito de confiança mútua. Por isso é que resulta, porque quando amamos confiamos mais na outra pessoa do que em nós mesmos. O amor fura-nos o coração, e liberta a pressão para podermos respirar. E respirar é viver…

4 comentários :

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