Eu tento respeitar o teu espaço. 
Eu sei o que é estar presa, o que é ver o sol a entrar por debaixo da porta. 
Sei bem o que dói olhar para paredes cinzentas e frias e desejar ver o mar e sentir a areia quente.
 Eu sei o que é não ter ar pra respirar. 
Eu fico de fora das fotografias de grupo, fora das conversas e recordações das festa e passeios. 
Sei o quão doloroso isso é, e não te quero impor a mesma dor.
 Não te quero mágoar. 
Mas dói-me. 
Dói-me saber que enquanto outros te tem eu não te vejo. 
Que das mais de ti aos outros, os vultos por quem anseias conhecem-te como nunca te conheci, sabem do teu passado e do teu presente. 
Viveram histórias, vivem momentos, ajudam, salvam, participam activamente na tua vida 
enquanto eu tento intervir sem sucesso algum. 
Enquanto trocamos muitas palavras sem sentido e poucos olhares verdadeiros. 
Eles estão onde eu queria estar, estão perto enquanto estou longe,
 fazem-te rir enquanto eu te atiro pedras, 
são protagonistas da tua vida enquanto eu sou apenas um figurante neste filme. 
O meu nome não vai passar no final, ninguém vai recordar a minha cara e não serei capa de revista.
 Sabes o quanto isso me faz sentir insignificante? Preciso de viver a tua vida, preciso viver as duas vidas. 
E cada vez que vais esqueceste de quem deixas. 
Tu dizes que não, mas sou eu quem fica a olhar para o telemóvel que insiste em não dar sinal. 
E o sentimento de abandono toma conta de mim.

2 comentários :

Thank you for taking your time. Comments always make me happy.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...