O meu coração estava vazio. A porta estava trancada e a chave perdida. As janelas fechadas, sem cortinas sem deixar entrar um raio de sol. As paredes, todas elas pintadas de cinzento, eram frias e húmidas, um pouco estaladas. Via-se pó por todo o lado. Era escuro lá dentro. Tudo parecia sombrio e pálido. Ate que um dia tu chegaste. Não precisaste de chave, mandaste a porta a baixo. Abriste as janelas em jeito apressado, limpaste todo o pó que havia e puseste cortinas nas janelas. A pouco e pouco foste pintando as paredes com as cores do arco-íris, trouxeste os móveis, e tornaste este coração num local acolhedor. Depois acendeste a lareira, sentaste-te no sofá que havias trazido e colocado em frente á mesma e com uma chávena de café quente nas mãos prometeste que nunca me deixarias cair. Trouxeste quadros dos nossos sonhos, fotografias dos nossos sorrisos e flores, vivas e brilhantes para a jarra da sala. Tu decoraste o meu coração. E quando sais, tudo permanece igual. Vou colocando lenha na fogueira para que se mantenha acesa até voltares, porque sei que voltas sempre e por isso nunca fecho a porta, deixo sempre a roupa no armário. Por vezes, fecho um pouco as janelas e esqueço-me do sol. Fico sentada na poltrona olhando para o relógio á tua espera. Então, ouço os teus passos, corro para ti e vejo-te com as flores na mão e um sorriso no rosto. Abres as janelas, tiras as flores da jarra já secas e colocas as novas e brilhantes que trazes na mão, desta vez são rosas, rosas brancas, são lindas. Depois levas-me pela mão até ao sofá, sentamo-nos debaixo do mesmo cobertor em frente á lareira e bebemos café da mesma caneca. Isto tudo porque acredito que o meu coração é a tua casa.

10 comentários :

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