3ª parte

Uma manha, a pequena borboleta acordou, triste e sem cor. Dirigiu-se á janela e foi então que encontrou um bilhete. Sim, era um bilhete do príncipe pirilampo, que queria voltar a vê-la. Então a borboleta sorriu, as suas asas encheram-se de cores fortes e brilhantes, e o mundo á sua volta ganhou uma nova luz. E durante muito tempo trocaram correspondência. E sempre que a borboleta desanimava, sempre que lhe parecia um amor impossível, o príncipe fazia-lhe entender que tudo é possível, que existindo amor, eles poderiam ficar juntos. E então ela sorria de novo. Acordava, corria para a janela e lia o que seu príncipe lhe deixara durante a noite. Até que uma noite, a borboleta acordou de um sono pouco profundo, abriu os olhos, e viu uma luz brilhante ao seu lado. Era o príncipe, “todas as noites, quando estás a dormir, eu venho velar o teu sono e iluminar os teus sonhos” disse-lhe com voz doce. A borboleta emocionou-se, uma lágrima que queria cair, foi afagada pela mão do príncipe que a beijou. “Sabes príncipe, desde que me salvaste no lago, que eu tenho voado, e tenho afastado as nuvens do teu caminho com as minhas asas, para que durante a noite, quando saís, não haja nuvem nenhuma a assombrar-te e para que as tempestades nunca te alcancem”. E assim ambos entenderam, que há muito que cuidavam um do outro, que há muito que pertenciam um ao outro. E estavam perto, independentemente da distância que os separava. Estavam incondicional e irreversivelmente apaixonados. E prometeram nunca se separarem, e que cada despedida fosse um “ate já”. Apenas desejavam que houvesse sempre uma próxima. Longe dos olhos mas perto do coração. E assim o tempo foi passando, foram-se adaptando, a borboleta mostrou-lhe como a floresta é linda de dia, como as borboletas dançam, formando laços coloridos, e mostrou-lhe o sol, mostrou-lhe as sombras. O príncipe pirilampo, adorava a sua sombra, a sua mais recente descoberta. Durante a noite, o pirilampo mostrou-lhe a lua, mostrou o reflexo desta no lago. Mostrou-lhe as estrelas. Ensinou-a a pedir desejos as estrelas cadentes, e ambos desejavam o mesmo, desejavam ficar juntos para sempre. E então adormeciam, abraçados, sobre uma flor qualquer, as vezes de dia, outras vezes de noite. Tinham criado o seu próprio horário e não interessava se o sol estava alto ou se a lua já aparecera, só interessava estarem juntos.

(Continua)
"Viajo porque preciso, volto porque te amo"

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